• Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo - 116 Anos

Pastoral

POR QUE DEUS NÃO NOS DEIXA VER O QUE ELE VÊ?

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”
I Samuel 16.7

 

E se nós conseguíssemos enxergar o coração do outro? Se nós conseguíssemos ver o que há de melhor e de pior na alma humana? Se de antemão soubéssemos das intenções ocultas na mente do nosso semelhante? Quem sabe isso não seria bom? Talvez fosse o fim da hipocrisia, da deslealdade, da mentira, do cinismo, da falsidade. Talvez fosse possível até acabar com a criminalidade, a violência. Elegeríamos os melhores políticos. Teríamos os melhores pastores (talvez nem precisássemos deles). Por que Deus, na sua sabedoria infinita, não nos deu essa faculdade se ela seria tão benéfica?

 

Bem, acredito que a resposta está em nós mesmos... Se tivéssemos esta faculdade aliada a nossa natureza caída isto não significaria a nossa redenção, mas a nossa destruição. Assim, para entender isso não precisamos olhar para o outro, mas para nós mesmos. Examinando o que há de melhor em nós, percebemos que as disposições do nosso coração visam sempre o nosso próprio interesse. A perspectiva da felicidade, da vitória, do bem querer, do crescer, do evoluir, parte naturalmente de nós mesmos. Desta maneira vemos em nós mesmos o chamado “instinto de sobrevivência”, que em última análise deixa o outro em condição de opositor, o concorrente que pode eventualmente nos privar daquilo que nós mais almejamos. Assim sendo a faculdade de enxergar o coração do outro nos levaria a procurar sempre estar na dianteira. Certamente criaríamos estratégias que nos possibilitariam se não nos escondermos, ao menos retardar a visão do outro a fim de auferir lucro disso.

 

Pela graça de Deus não conseguimos transpor o limite da aparência, todavia o Senhor Jesus nos deixou indicativos para ao menos nos vermos no outro. Ao dizer que “pelo fruto se conhece a árvore” (Mt 12.33-37), Jesus nos mostra que todos nós apresentamos “frestas” em nosso caráter, pelas quais é possível que alguém enxergue parte do nosso ser; por elas a nossa desfaçatez é percebida da mesma forma que a percebemos nos outros. Tão somente isto basta-nos para entendermos o quão danoso seria para nós e para os outros uma visão mais ampla. O que aprendemos nisso tudo é: se não conseguimos conhecer o nosso próprio coração que é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto (Jr 17.9), porque o Senhor nos permitiria conhecer o coração alheio? Deus nos conhece por inteiro e mesmo assim age com misericórdia e amor para conosco. Pense nisso!

 

Rev. Evan Gouveia de Deus