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A Reforma do Século XVI

   Reforma Luterana

Martinho Lutero nasceu em Eisleben, uma cidade mineradora da Saxônia, em 1483. Os pais de Lutero lhe deram a melhor educação que podiam, na esperança de que ele se tornaria um advogado e um próspero conselheiro municipal. Todavia, o plano de Deus para ele era outro, ele jamais poderia imaginar que se transformaria em pouco tempo no homem mais admirado e mais odiado da cristandade no século XVI.

Em 1505, para a consternação de seu pai, ele ingressou no mosteiro agostiniano de Erfurt. Vinte anos depois, Lutero iria repudiar os seus votos monásticos e proferir o maior ataque ao catolicismo romano de sua época. Antes de Lutero mostrar suas garras contra Roma, já havia no seio da Igreja (de Roma) um movimento teológico de retorno às Sagradas Escrituras. Neste sentido, Staupitz, supervisor dos agostinianos alemães, foi fundamental para que Lutero se tornasse um diligente estudioso das escrituras a fim de encontrar resposta para suas crises de depressão espiritual e tornar-se um professor universitário e aplicasse suas grandes energias para um fim proveitoso. Antes de completar 30 anos, Lutero começou seu trabalho vitalício como professor das sagradas escrituras, na nova universidade de Wittenberg.

As exigências do mosteiro e as atividades de ensino não foram suficientes para satisfazer a sua busca pessoal de santidade. Sua sensibilidade ao pecado era tamanha que o abnegado monge irritava seu confessor ao procurá-lo várias vezes ao dia para confessar-se. Ele sofria, consideravelmente, pela imagem temível de Deus como um juiz perfeitamente justo que enviou seu Filho para mostrar a humanidade a realidade plena e terrível da justiça divina. Depois de muita angustia e meditação, o nosso javali da floresta (como era chamado pelo papa Leão X), encontrou alivio e libertação nas palavras do apóstolo Paulo em Romanos 1.17: ...o justo viverá pela fé. A Igreja de Cristo retornava a sua identidade apostólica.

No entanto, as inquietações existenciais e teológicas de Lutero não produziriam qualquer abalo nas estruturas eclesiásticas, outros já haviam ousado antes dele como os ingleses João Wycliffe e João Huss, o italiano Jeronimo Savonarolla terminando na fogueira da inquisição. Foi somente quando Lutero começou a protestar quanto às práticas imorais da igreja (as indulgências, as vendas de relíquias sagradas e simonia), que na opinião de Lutero aviltava a livre dádiva da graça a ser alcançada através da fé em Cristo, que suas descobertas espirituais o levaram ao antagonismo público, como as famosas noventa e cinco teses publicadas na porta da catedral de Wittenberg. Nascia não somente um dos teólogos mais geniais da Reforma, bem como, um uma voz profética que ecoaria por toda cristandade. Em 1520, o ex-monge publicou uma dezena de obras atacando os desvios teológicos e morais do Vaticano, o que lhe rendeu a famosa convocação para a Dieta de Worms, diante de Carlos V, então imperador do Sacro Império Romano Germânico. Foi convocado a retratar-se e, mediante sua recusa, deu-se a definitiva ruptura com o catolicismo romano.

Lutero entendia que os crentes tinham o direito de ler e interpretar as sagradas escrituras, assim, trabalhou diligentemente na tradução da Bíblia para a língua alemã, abrindo o precedente para que outros reformadores o fizessem em seus países. No seu processo de ruptura com Roma e durante a fase de organização da Igreja Luterana, Lutero contou com a proteção dos príncipes alemães, desejosos de romper com o vaticano por conta da cobrança dos impostos que alijavam os cofres germânicos. No entanto, nem tudo foram flores na jornada de Lutero rumo a constituição da igreja luterana; ele teve sérios problemas com os anabatistas mais radicais, que se envolveram nas revoltas camponesas. Lutero rejeitou duramente as revoltas dos camponeses por não concordar com seus métodos que ele considerava pouco cristãos. Casou-se com uma ex-freira, Catarina de Bora, constituindo família e o oferecendo um novo padrão para os ministros da palavra em sintonia com as escrituras. Sua vida e obra foram tão intensas e significativas que, exerceram grande influência nos reformadores na França, Suíça, Holanda, Inglaterra e Escócia.

Sem dúvida, maior contribuição de Lutero para o movimento reformado, consistiu no retorno da Teologia da Cruz. A centralidade da cruz no processo de justificação do crente voltou a ser a premissa básica da salvação, não mais as boas obras, sejam elas em forma de caridade ou penitencias. Lutero rejeitava, portanto, a tentativa humana de acrescentar qualquer aperfeiçoamento a obra de Cristo, tentativa esta que ele chamava de Teologia da Glória.

Conheça as 95 Teses afixadas por Lutero na Catedral de Wittenberg fazendo um download do arquivo abaixo:




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As 95 Teses de Lutero
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